Amizade na primeira infância

    Bem, apesar de hoje em dia ser ‘modinha’ as pessoas quererem passar uma imagem de antissocial e isolado do mundo, na minha época isso era visto como certo problema, digno de pena e comentários cheios de sentimento por familiares e conhecidos. Eu não acho que poderia me classificar nesse quadro exatamente, porque apesar de não falar muito com outras crianças, eu nunca fui de evitá-las, ou seja, pelo menos não nasci assim, né? O que foi se desenvolvendo ao longo dos anos foi uma capacidade própria de não precisar de companhia para levar a minha vida. Alguns podem achar isso uma grande tristeza, mas para mim sempre foi natural falar e brincar sozinho, por exemplo. Como disse anteriormente, não me considero como um antissocial, mas com certeza  tenho um modo muito seletivo de escolher minhas amizades. Acho realmente importante criar um vínculo com alguém e não apenas uma relação de falar 'vez ou outra' e querer parecer melhores amigos. Amizades que quando você está sozinho e lembra da pessoa e das situações em que estiveram juntos, ri e sente saudades de verdade. Eu costumo classificar meus amigos com muito carinho, mas de forma bem específica. Tem aquele amigo de falar besteiras, outro de falar de jogos, uns que vão estar ali para me dar apoio, os que são meus amores profundos e os que irei constantemente cuidar com carinho e atenção quando precisarem. Enfim, meus amigos são muito especiais para mim e especiais a tal ponto que reprimo minhas frustrações e tristezas ao máximo perto deles para não contagiá-los com coisas ruins e acredito fielmente que um sorriso faz toda a diferença no dia-a-dia de alguém. Meu lema é “Ouvir e sorrir é fazer alguém feliz”, ou quase isso...

    Bem, falei muito, mas não disse nada do que propus sobre a amizade na minha primeira infância – um período que foi de 0 à 6 anos aproximadamente. Nunca fui de sair muito de casa, com exceção é claro, da companhia de meus pais indo a recém-inaugurados shopping-centers dos anos 90 ou os velhos e bons parques (que por acaso, nem existem mais). Resumidamente, eu não tinha amigos da minha idade e que conviviam comigo, mas jamais fui solitário porque adquiri a capacidade de personificar amizades em coisas simples, os meus próprios pertences. Ao longo desse período maravilhoso da minha vida eu fui juntando uma coleção invejável de carrinhos e bonecos, de todos os tipos, tamanhos, cores e temas e se tem uma coisa que me lembro muito bem é que sempre dei atenção especial para cada um deles, e olha que deviam ser mais de 200. Cada um deles tinha nomes e um papel importante em minhas aventuras. Aaaah! As aventuras! Eu tinha uma antiga coleção de fitas VHS (alguém ainda lembra disso?!) que eu nem assistia e serviam apenas de "blocos" para montar cenários incríveis para minhas aventuras, juntamente com as almofadas da minha casa para o desespero da minha mãe... Bem, todos eram queridos sim, mas de todos haviam três bonecos em especial que tinham (e ainda tem!!!) por completo o meu coração, eram eles: Brasileirinho, Pretinho e Marrom (in memoriam), nessa ordem de atenção mesmo. O Brasileirinho por acaso foi, inegavelmente, o meu maior líder, maior amigo e eterno campeão de batalhas! Antes de começar a me aprofundar sobre eles vou mostrar a foto do atual estado desses personagens, ou melhor, dos dois que sobreviveram às aventuras, porque o Marrom teve um triste fim morrendo bravamente em algum momento histórico, mas com certeza foi uma ocasião emocionante e honrada e agora deve descansar em paz no Valhala..

À esquerda o Brasileirinho, à direita o Pretinho.

    O Brasileirinho, velho guerreiro desde 1994 é – apesar de não parecer agora – um chaveiro temático do Snoopy - Era pesado demais para o serviço e nada confortável para manter no bolso, por isso acabou em minhas mãos – Seu tema era a Copa do Mundo de 1994, dos Estados Unidos. Como podem ver ele está sem cor, sem orelhas e sem o braço que segurava a bandeira nacional, mas continua poderoso, não é? Já o Pretinho era um daqueles guardinhas/policiais que vinham sobre uma moto escandalosa de plástico, que piscava de todos os lados e talvez até andava sozinha, mas nem lembro bem porque a moto logo se perdeu e deixou ao mundo seu Coronel Pretinho como fiel escudeiro do Brasileirinho. Ele contava inclusive com uma parte estranhíssima que servia para encaixá-lo na moto e parecia mais um... pênis (o.O?), mas enfim... Já o saudoso Marrom, era outro desses guardas, porém mais velho e mais experiente, um verdadeiro Senhor das Guerras. Só possuía uma cor, um bege bem desbotado que por alguma razão na infância eu acreditava ser marrom. Ele era resmungão e senil, mas encarava todos os perigos com a mesma força da juventude e foi numa dessas que perdeu a cabeça, e morreu. (Pelo que me lembro, caiu da varanda da minha casa levando consigo algum vilão muito mal e poderoso que também se perdeu na queda).

    Com certeza esses não eram os únicos amigos que eu tinha, mas escolhi falar sobre esses três grandes em particular, porque me acompanham até hoje, me observando e protegendo do armário bem na entrada do meu quarto. Os demais foram doados ao longo desses anos para crianças carentes, que devem estar vivendo ou já viveram grandes emoções ao lado deles, apesar de hoje em dia os brinquedos ficarem um pouco de lado com tantas opções de diversão. Eu mesmo posso dizer que troquei em partes os brinquedos por amigos virtuais e as velhas aventuras com almofadas e VHS's por histórias e desventuras em RPGs online, mas minha alegria sempre foi baseada em imaginação e independente da época e do lugar, é assim que sempre vai ser. Enfim... ao fim da primeira infância eu finalmente entrei na escola e fui fazendo mais amizades com pessoas reais, culminando em um grande marco onde conheci o meu melhor amigo e dei início ao que chamo de Segunda Infância, mas isso claro é assunto para outro dia. Obrigado pessoas pela atenção, espero que tenham curtido e até a próxima!

2 comentários:

Moon Schatten disse...

Concordo. Há alguns anos atrás pessoas assim eram criticadas, mal vistas, como se fossem as esquisitas do mundo, o que afastava algumas outras pessoas. E agora parece que isso se tornou legal, as pessoas começam a fingir serem antissociais. E bom, eu também não tenho muitos amigos, mas tenho o que preciso. Falo com várias pessoas, mas isso não quer dizer que elas sempre estarão lá por mim, como apenas os meus amigos fazem. Mas eu sou legal e ajudo quem precisa de mim, mas já fui ruim, então... Sei lá. Só sei que posso dizer que você é o meu baú de segredos, meu grande amigo, que foi transformado em babá pela minha mãe, e que sempre me ajuda quando preciso. <3 Viva à Salsicha -qqqq

Diogo Marques disse...

Viva la salsichón! aauhahahuauh Bem, essa parte será abordada em temas futuros u.u Eu mudei bastante ao longo dos anos, principalmente depois de te conhecer. Mas eu gosto de ter amigos, poucos, mas gosto.